segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Ruy Jervis D`Athouguia

Só ontem é que me foi possível aproveitar o Lisboa Open House. Fomos visitar dois edifícios de um dos meus arquitectos portugueses preferidos, mas pouco estudado, o Ruy Jervis D`Athouguia.
Primeiro, a escola primária do Bairro de São Miguel, em Alvalade. Degradada, mas ainda com muitos elementos originais, como os caixilhos, as portas interiores, as casas de banho. Amarquisada, claro, mas ao que parece sem demolições que tenham comprometido a integridade do edifício original. Apenas as chapas de fibrocimento nas coberturas, que são concerteza posteriores à construção original, e duvido que tenham sido colocadas com a aprovação do arquitecto,  é que retiraram a leveza das lajes de betão que rematam o topo dos edifícios. A qualidade da luz interior é fantástica. Não há vigas aparentes nem paredes até ao tecto: há vãos rasgados junto à laje de tecto, nas fachadas sul e norte, bem como na parede interior que separa as salas do corredor: o tecto branco, contínuo ao longo do edifício todo, solta-se dos restantes elementos construtivos e funciona como um plano difusor de luz. Gostava de saber quem foi a equipa de engenheiros responsáveis pelo projecto de estabilidade. É preciso ter mais exemplos destes na manga para dar como exemplo quando nos falam de certas impossibilidades de projecto. Pode ter sido mais difícil, mais arriscado, mas foi possível.


Segundo, o edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian. Um favorito, talvez o favorito! É espantoso como se mantém actual e como é um dos melhores exemplos construídos a seguir nos dias de hoje. Seria bom que tivéssemos aprendido mais com esta experiência de concepção e de construção de um lugar tão excepcional. Perdemos muita da criatividade, vontade, exigência, qualidade e humildade que guiaram este projecto e esta obra. Apetece recuperar esse espírito da época - o diálogo entre as artes e as ciências, e a visão a longo prazo do promotor. Tivémos um guia excelente, um apaixonado pelo edifício e jardins que, não fosse eu uma fã da Gulbenkian, teria passado a ser uma a partir de ontem. Somos uns afortunados por poder beneficiar dela, em todos os aspectos: pelos concertos e exposições, mas também por podermos usufruir dos seus jardins, que são um convite à tranquilidade. É só preciso dar atenção que está mesmo ao nosso lado, ali à saída do metro de S.Sebastião.


http://www.museu.gulbenkian.pt/museu.asp?seccao=edificio&lang=pt

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Tranquilidade precisa-se

Antes de mais: este senhor podia estar a ouvir Fleet Foxes. É a fotografia perfeita para ilustrar o post anterior!
A fotografia é em Berlim, do Ricardo Nuno, que consegue ter um olho incrível. Quanto de nós poderiam ter passado ao lado deste rapaz de camisa ocre sem sequer olhar duas vezes, muito menos vê-lo em perfeita simbiose com a paisagem - a árvore, a relva. Está fantástica, a luz quente, o enquadramento, o céu, as cores outonais. A importância desproporcionada que é dada ao céu, com a linha do horizonte muito baixa... A composição é excelente. Um dos comentários no facebook a esta fotografia do Ricardo foi a semelhança aos quadros de Seurat. Vejo no Ricardo, para além de um amigo, um artista. Para quando Lisboa? Estamos aqui à espera.